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Escritório de advogado tem de se ajustar à realidade do cliente

"A chave do sucesso é se ajustar à realidade do cliente, tanto nos procedimentos quanto na forma de cobrança. O escritório de advocacia que estiver aberto para conversar e tiver flexibilidade para atuar de forma diferente tem grandes chances de fechar contratos com departamentos jurídicos. Essa necessidade das empresas foi apresentada pelos representantes do jurídico de gigantes como Unilever Brasil, Amil e Grupo Oi, que participaram, nessa quinta-feira (24/9), do I Fórum Nacional de Departamentos Jurídicos, em São Paulo. Apesar desse ponto em comum apontado pelos diretores jurídicos, não há fórmula para oferecer ou prestar serviços para as empresas."

Cada uma, com as suas peculiaridades, demanda um tipo de profissional, de exigência, de retorno e impõe as suas metas. A advogada Yolanda A. de Cerqueira Leite, vice-presidente jurídica da Whirlpool, diz que é importante desenvolver indicadores de desempenho "para comprovar a eficiência". Advogados que ainda acham um absurdo o jurídico ter de cumprir metas e apresentar resultados devem mudar de posição, segundo ela, porque é uma boa forma de manter o foco. "É a realidade. Quanto mais rápido se adaptar a ela, melhor para vocês." Para a plateia de 250 advogados, Yolanda perguntou se enviavam relatórios aos clientes. A advogada entende que é preciso manter contato constante com os clientes, informá-los sobre os status dos seus processos, "fator importante para eles", e dizer quais são as expectativas de tempo e de resultado. Segundo Yolanda, na Whirlpool, a situação do jurídico ficou complicada com a crise financeira. O orçamento da empresa foi reduzido e o jurídico começou a devolver muitas faturas de cobrança enviada pelos escritórios externos. "Temos que questionar as relações com os escritórios e os honorários. Muitos pequenos e médios oferecem bons serviços. Às vezes, precisamos de grife, mas temos que questioná-los. Uma fatura com dois sócios é inadmissível", esbraveja a advogada. Adriano Pablo Justino Peixoto, coordenador do jurídico da Oi, conta que o grupo trabalha com 120 escritórios espalhados por todo o país. Alguns são estratégicos, outros cuidam do contencioso e os demais atuam no consultivo. As bancas que trabalham com questões de massa recebem remuneração fixa, de acordo com o padrão estabelecido pela própria empresa. Há uma gerência na empresa só para cuidar dos escritórios. O Grupo Oi, para controlar o andamento dos milhares de processos em que é autor e réu, usa um sistema que pode ter até dois mil acessos simultâneos e é divido em cinco módulos: cível, criminal, administrativo (Procon e Ministério Público), tributário e de controle dos Juizados Especiais Cíveis, a sua maior preocupação. O sistema também é usado para apurar o desempenho dos escritórios e criar um índice de qualidade. A interferência da empresa na atuação dos escritórios contratados é grande. Todos eles devem ter o sistema de controle de processos. Além disso, as teses e estratégias não são desenvolvidas dentro de cada escritório contratado. Como as questões são nacionais, as teorias são desenvolvidas pelo jurídico do grupo, em parceria com bancas estratégicas, e disseminadas por todo país. Treinamentos e reuniões simultâneas com todas as equipes, por meio de videoconferência, são frequentes.


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